Perguntas e Respostas sobre Génesis, Capítulo 12
A Chamada de Abrão: O nascimento da fé, a promessa da terra e a falha no Egito.
1 O Comando Radical ("Lech Lecha")
O comando "Sai da tua terra, do meio de teus parentes" (v. 1) exigia uma ruptura total. Por que o isolamento era necessário para a formação da fé?
Em hebraico, Lech Lecha pode significar "Vai por ti mesmo" ou "Vai para ti mesmo".
- A Ruptura Cultural: Ur dos Caldeus era um centro de idolatria lunar. Deus não podia construir uma nova nação santa sobre alicerces podres.
- A Dependência: Ao cortar os laços de segurança (terra, família, casa paterna), Abrão foi forçado a depender exclusivamente da voz de Deus. A fé exige sair da zona de conforto cultural para florescer.
2 Engrandecer o Nome (Deus vs. Babel)
Deus promete: "Engrandecerei o teu nome" (v. 2). Como isso contrasta com a ambição dos construtores de Babel no capítulo anterior?
- Babel (Humanismo): Disseram: "Vamos fazer um nome para nós mesmos" (Gn 11:4). O esforço era de baixo para cima, baseado na soberba. Resultado: dispersão e esquecimento.
- Abrão (Graça): Deus diz: "Eu farei o teu nome grande". É uma dádiva de cima para baixo. O caminho para a verdadeira grandeza não é a autopromoção, mas a submissão ao chamado de Deus. Abrão tornou-se pai de multidões; Babel tornou-se confusão.
3 A Bênção Missiológica (Todas as Famílias)
"Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (v. 3). Como esta promessa define o propósito da eleição de Israel?
Esta é a base de toda a missão bíblica.
- Eleição Instrumental: Deus não escolheu Abrão para excluir os outros, mas para alcançar os outros. A eleição de Israel não era um fim em si mesma, mas um meio para abençoar os gentios.
- O Cumprimento: Paulo ensina em Gálatas 3:8 que esta frase era o "Evangelho pré-anunciado". A bênção suprema não é territorial ou financeira, mas a salvação em Cristo, o descendente de Abrão que abençoa todas as etnias.
4 A Geografia da Fé (Siquém e Betel)
Abrão construiu altares em Siquém e Betel (v. 6-8), embora "os cananeus estivessem na terra". O que os altares representavam?
- Reivindicação Espiritual: Os cananeus dominavam a terra fisicamente, mas ao edificar um altar, Abrão estava a marcar o território para Yahweh. Era um ato de posse pela fé.
- O Testemunho: No meio de uma cultura pagã hostil, o altar era uma declaração pública de que aquele pedaço de chão agora servia a outro Senhor. A adoração de Abrão foi a sua primeira "arma" de conquista.
5 A Grande Fome (O Teste da Circunstância)
Logo após chegar à terra prometida, "houve fome na terra" (v. 10). Por que Deus permitiu essa crise imediatamente após a obediência de Abrão?
Para provar a fé no Provedor, não na provisão.
- O Choque: Abrão obedeceu, mas as circunstâncias pioraram. Isso ensina que estar no centro da vontade de Deus não garante ausência de problemas.
- O Teste: A fome testou se Abrão confiava na promessa de Deus ou na fertilidade do solo. Infelizmente, ele falhou ao olhar para o Egito (o mundo) como solução imediata, trocando a terra da promessa pela terra da abundância visível.
6 A Descida ao Egito (Yarad)
O texto diz que Abrão "desceu ao Egito". O que o Egito simboliza teologicamente e qual o perigo dessa jornada?
- Símbolo do Mundo: Na Bíblia, "descer ao Egito" é frequentemente buscar refúgio na força humana e na segurança material, longe da dependência de Deus.
- O Perigo: No Egito, Abrão parou de construir altares e começou a construir esquemas. Ele trocou a vida de fé pela vida de manipulação e medo. O Egito oferece comida (trigo), mas cobra o preço da integridade e da liberdade.
7 A Mentira sobre Sarai ("É minha irmã")
Abrão pediu a Sarai que dissesse que era sua irmã (v. 13). O que motivou essa mentira e qual o risco espiritual envolvido?
A motivação foi o medo da morte e a autopreservação.
- A Meia-Verdade: Ela era meia-irmã (Gn 20:12), mas a intenção era enganar. Abrão estava disposto a colocar a pureza da sua esposa em risco para salvar a própria pele.
- O Risco Messiânico: Se Sarai entrasse no harém do Faraó, a semente prometida (o Messias) estaria comprometida. A linhagem santa poderia ser corrompida por uma semente pagã. A covardia de Abrão colocou em risco o plano de redenção da humanidade.
8 A Intervenção de Deus (Pragas no Faraó)
"O SENHOR puniu o faraó com pragas terríveis" (v. 17). O que isso revela sobre a fidelidade de Deus mesmo quando o crente falha?
Revela a Graça Soberana.
- Proteção Imerecida: Abrão merecia ser punido pela sua mentira, mas Deus interveio para proteger Sarai e a Promessa. Deus foi fiel à Sua aliança mesmo quando Abrão foi infiel.
- Antecipação do Êxodo: Deus ferindo o Faraó com pragas para libertar os Seus eleitos é uma prévia profética do que aconteceria séculos depois com Moisés.
9 A Repreensão do Pagão
O Faraó repreende Abrão: "O que me fizeste?" (v. 18). Qual a humilhação de um profeta ser repreendido por um rei ímpio?
- Perda de Testemunho: Abrão deveria ser uma bênção para as nações (v. 3), mas trouxe pragas ao Egito. O pagão mostrou mais integridade moral ("Por que não me disseste?") do que o homem de Deus.
- A Lição: Quando o crente vive na carne, ele torna-se uma pedra de tropeço para o mundo e perde a sua autoridade moral para pregar.
10 A Saída com Riquezas (O Padrão do Êxodo)
Abrão saiu do Egito "muito rico" (v. 16; 13:2). Como isso estabelece um padrão tipológico para Israel?
Estabelece o padrão de Descer, Sofrer e Sair com Espólios.
- O Paralelo: Assim como Abrão, a nação de Israel desceria ao Egito por causa da fome, seria preservada por Deus através de pragas e sairia com grandes riquezas (Êxodo 12:36). A história do pai profetiza a história dos filhos. Deus pode transformar até os nossos desvios em provisão material, embora a cicatriz espiritual permaneça (Hagar, a serva egípcia que veio com eles, traria problemas futuros).
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