Perguntas e Respostas sobre Gênesis, Capítulo 18
O Deus que Almoça: A Teofania em Manre, o riso de Sara e a primeira grande intercessão da Bíblia.
1 A Identidade dos "Três Homens"
Abraão vê "três homens" (v. 2), mas depois dirige-se a eles como "Meu Senhor" (singular). Quem eram esses visitantes?
O texto identifica explicitamente um deles como o SENHOR (Yahweh) no versículo 1.
- Cristofania: A teologia cristã entende que o líder do grupo era uma aparição do Cristo pré-encarnado (uma Teofania em forma humana), pois "ninguém jamais viu a Deus" (o Pai).
- Os Outros Dois: Eram anjos que, mais tarde (cap. 19), desceriam a Sodoma para executar o juízo.
2 A Hospitalidade Urgente
Abraão "correu" para encontrá-los e "apressou-se" em preparar comida (v. 2-7). O que isso ensina sobre o serviço a Deus?
Ensina a Prontidão no Serviço.
- A Atitude: Abraão tinha 99 anos e estava se recuperando da circuncisão (cap. 17), mas não usou isso como desculpa. Ele serviu o melhor que tinha (o bezerro escolhido, farinha fina) com máxima urgência.
- O Legado: Hebreus 13:2 cita este evento: "Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem saber, alguns acolheram anjos".
3 Deus Come Comida Humana?
O texto diz que "eles comeram" (v. 8). Por que é teologicamente significativo que Deus tenha aceitado comida terrena?
- Comunhão Real: No Oriente Próximo, comer junto é selar um pacto de paz e amizade. Deus não fez apenas uma aparição visual (holograma); Ele engajou-se fisicamente com a realidade de Abraão.
- Prenúncio da Encarnação: Este ato prefigura Jesus, que comeria com pecadores e com seus discípulos após a ressurreição, validando a bondade da matéria criada.
4 O Riso de Sara (Onisciência Divina)
Sara riu "consigo mesma" (em silêncio), mas Deus perguntou: "Por que Sara riu?" (v. 12-13). O que isso revela?
Revela que Deus ouve os pensamentos.
- A Onisciência: O visitante provou ser Deus não apenas pela promessa, mas por saber o que acontecia no segredo do coração de Sara, atrás da tenda.
- O Riso: Foi um riso de incredulidade cínica ("esgotada como estou... terei esse prazer?"). Deus transformaria esse riso de dúvida no riso de alegria (Isaque = "ele ri").
5 A Pergunta Retórica da Onipotência
"Acaso existe algo difícil demais para o SENHOR?" (v. 14). Qual a importância dessa pergunta para a teologia bíblica?
É a definição fundamental da Soberania de Deus sobre a natureza.
- O Significado: A palavra hebraica Pala (difícil/maravilhoso) sugere algo extraordinário. Deus desafia a biologia (um útero morto) com a Sua teologia. Para o crente, nenhuma situação é "demais" para a intervenção divina. Essa pergunta ecoa em Jeremias 32:27 e Lucas 1:37.
6 O Amigo de Deus ("Esconderei de Abraão?")
Deus delibera: "Esconderei de Abraão o que estou para fazer?" (v. 17). O que isso ensina sobre a intimidade profética?
- A Parceria: Deus trata Abraão não como um servo que apenas obedece ordens, mas como um parceiro de Aliança. "O SENHOR confidencia seus segredos aos que o temem" (Salmo 25:14).
- O Propósito: Deus revela o juízo sobre Sodoma porque Abraão precisava ensinar justiça e direito à sua futura nação (v. 19). A revelação tem propósito pedagógico.
7 O Clamor de Sodoma
"O clamor contra Sodoma e Gomorra é grande" (v. 20). O que significa teologicamente o "clamor" (Za'aqah) do pecado?
Significa que o pecado tem voz e exige justiça.
- A Evidência Jurídica: O termo Za'aqah é frequentemente usado para o grito de vítimas de opressão ou violência. O pecado de Sodoma não era privado; tinha vítimas que "gritavam" aos céus. Deus desce para investigar como um Juiz que responde à denúncia das vítimas.
8 A Ousadia da Intercessão
"Não fará justiça o Juiz de toda a terra?" (v. 25). Como Abraão ousa questionar a justiça de Deus?
Isso não é rebeldia, é intercessão baseada no caráter de Deus.
- O Argumento: Abraão não apela para a inocência de Sodoma (ele sabe que é culpada), mas para a consistência de Deus. Ele argumenta que Deus não pode tratar o justo e o ímpio da mesma maneira. Ele "lembra" a Deus quem Ele é. A verdadeira oração baseia-se na reputação de Deus.
9 A Matemática da Misericórdia (50 a 10)
Abraão negocia de 50 justos até chegar a 10. Por que ele parou em 10?
- O Minyan: Na tradição judaica, 10 é o número mínimo para uma comunidade (sinagoga).
- A Família: Abraão provavelmente calculou a família de Ló (Ló, esposa, filhas, genros) e achou que haveria pelo menos 10.
- A Graça: Deus concordou em poupar a cidade inteira por causa de uma minoria ínfima. Isso mostra que o justo é o "sal da terra" que preserva o mundo do juízo imediato.
10 O Final do Encontro
"Tendo acabado de falar... o SENHOR retirou-se" (v. 33). O que aprendemos sobre os limites da oração?
Aprendemos que Deus tem a última palavra.
- A Decisão: Deus ouviu pacientemente, mas não comprometeu Sua justiça. Ele foi até onde a misericórdia permitia (10 justos), mas como Sodoma não tinha nem isso, o juízo prosseguiu. A oração muda as coisas, mas não anula a santidade de Deus quando o pecado atinge a medida completa.
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