O Grande EU SOU
Análise Expositiva de Êxodo 3"Génesis terminou com um caixão, mas Êxodo 3 começa com o Fogo Santo. No Monte Horebe, o Deus silencioso rompe a história para revelar o Seu Nome e iniciar a redenção. A sarça que arde e não se consome é o ícone da graça: a glória de Deus habitando com pecadores sem os destruir."
A iniciativa divina e a distinção entre Criador e criatura.
- O Anjo do SENHOR (v. 2): Uma teofania (aparição de Deus). Muitos reformadores veem aqui o Cristo pré-encarnado, pois Ele fala como Deus no versículo 4.
- A Sarça que não se consome (v. 2-3): Um milagre de sustentação. A sarça (um arbusto comum e humilde) representa o povo de Israel: frágil e desprezível, mas habitado pela glória de Deus e, portanto, indestrutível.
- "Tira as sandálias" (v. 5): A primeira lição de teologia de Moisés é sobre a Santidade. O solo tornou-se santo pela presença de Deus. Não há acesso a Deus sem reverência e mediação; a impureza humana não pode tocar a santidade divina.
A compaixão pactual e a descida redentora.
- Os Verbos da Redenção (v. 7): "Vi a aflição", "Ouvi o clamor", "Conheço o sofrimento". Deus não é um motor imóvel aristotélico; Ele é um Pai compassivo que se envolve pessoalmente na dor dos Seus eleitos.
- "Desci para livrá-los" (v. 8): A salvação é sempre um movimento de cima para baixo (monergismo). Deus desce para resgatar quem não pode subir para se salvar. Isso prefigura a Encarnação de Cristo.
- A Terra Prometida (v. 8): A promessa a Abraão (Gn 15) permanece de pé. Uma terra que mana leite e mel, em contraste com a amargura da escravidão.
A fraqueza do mensageiro e a garantia da Presença.
- "Quem sou eu?" (v. 11): Moisés, outrora confiante na sua força (Ex 2:12), agora, após 40 anos no deserto, sente-se incapaz. A verdadeira vocação começa quando reconhecemos a nossa total inaptidão.
- "Eu serei contigo" (v. 12): Deus não responde exaltando as qualidades de Moisés, mas garantindo a Sua própria presença. A qualificação do chamado não está no enviado, mas no Enviador.
- O Sinal (v. 12): O sinal não é imediato (um milagre agora), mas futuro (culto neste monte). A fé de Moisés deve repousar na promessa futura de Deus.
O cume teológico: A Asseidade de Deus.
- A Pergunta sobre o Nome (v. 13): No antigo Oriente, o nome revelava a essência e o poder. Moisés precisa saber qual "deus" o envia para confrontar o panteão egípcio.
- EU SOU O QUE SOU (v. 14): Deus revela-se como o Ser Absoluto. Ele não depende de ninguém para existir (Asseidade). Ele é imutável, eterno e a fonte de toda a realidade. Ele não diz "Eu fui" ou "Eu serei", mas um eterno presente.
- O Memorial Eterno (v. 15): YHWH (Yahweh) é o nome pactual. O Deus transcendente (EU SOU) é também o Deus imanente e pessoal (Deus de Abraão). Ele é soberano sobre a história, mas fiel às promessas feitas aos pais.
Aprofundamento Teológico
O nome "EU SOU" (Yahweh) ensina a doutrina da Asseidade (do latim 'a se', de si mesmo). Deus não deriva a Sua existência de ninguém. Todas as criaturas são contingentes (dependem de Deus), mas Deus é necessário. Ele é a rocha inabalável da nossa salvação.
A maioria dos teólogos reformados identifica o "Anjo" do versículo 2 não como um anjo criado, mas como a Segunda Pessoa da Trindade. Ele aceita adoração e fala como o próprio Deus. É Cristo mediando a presença de Deus antes da Sua encarnação.
Deus não escolheu um cedro majestoso do Líbano, mas um arbusto espinhoso do deserto. Isso ilustra a graça: Deus escolhe as coisas fracas e loucas deste mundo (1 Co 1:27). A sarça é Israel (e a Igreja), inútil em si mesma, mas gloriosa por causa do Fogo Divino nela.
A ordem "tira as sandálias" refuta a ideia moderna de que Deus é apenas um "amigo" casual. Ele é o 'Mysterium Tremendum'. O acesso a Ele exige purificação. No NT, Cristo é quem nos lava os pés e nos permite entrar no Santo dos Santos.
Assistente de Estudo Bíblico
Tire dúvidas sobre a Sarça Ardente, o Nome de Deus e o Chamado.
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