A Aliança e a Circuncisão
Análise Expositiva de Gênesis 17"Treze anos de silêncio são quebrados quando Deus se revela como 'El Shaddai', o Todo-Poderoso. Em Gênesis 17, a aliança é selada com novos nomes, um novo sinal na carne e uma promessa impossível que faz Abraão rir."
A revelação divina após 13 anos de silêncio (Ismael tinha 13 anos).
- Eu sou El Shaddai (v. 1): Traduzido como "Deus Todo-Poderoso" (ou "Deus Suficiente", "Deus dos Seios/Nutridor"). Deus se apresenta como aquele que supre e tem poder para vivificar o ventre morto de Sara. É a resposta divina à esterilidade e à velhice.
- O Imperativo Ético (v. 1): "Anda na minha presença e sê perfeito" (ou íntegro). A aliança exige uma resposta de vida. Viver *Coram Deo* (diante da face de Deus) é a condição para experimentar a plenitude do pacto.
- A Mudança de Nome (v. 5): Abrão ("Pai exaltado") torna-se Abraão ("Pai de uma multidão"). Deus muda a identidade do patriarca para alinhá-la com o destino profético, mesmo antes de o filho nascer. A fé chama as coisas que não são como se já fossem.
A marca indelével na carne de Israel.
- Sinal Perpétuo (v. 11): A circuncisão não era opcional; era o selo da justiça da fé (Romanos 4:11). Simbolizava o corte da natureza pecaminosa e a consagração do órgão gerador a Deus, lembrando que a descendência é santa.
- Abrangência (v. 12-13): O sinal incluía não apenas filhos biológicos, mas também escravos e estrangeiros na casa. A aliança abraâmica sempre teve um escopo inclusivo e missionário.
- A Sanção (v. 14): O incircunciso seria "eliminado do seu povo". Rejeitar o sinal era rejeitar a aliança e o próprio Deus. A desobediência trazia exclusão espiritual e social.
A especificação da linhagem da promessa.
- Sara (v. 15-16): Sarai ("minha princesa"?) torna-se Sara ("Princesa"). Ela é incluída explicitamente como a "mãe de nações". A bênção não viria de Hagar ou outra, mas do ventre dela.
- O Riso de Abraão (v. 17): Abraão riu, não necessariamente de escárnio, mas de assombro incrédulo. "Gerar-se-á um filho a um homem de cem anos?". A lógica humana colide com a promessa de El Shaddai.
- A Súplica por Ismael (v. 18): Abraão tenta negociar: "Quem dera que Ismael viva diante de ti!". Ele se apegou ao plano B. Mas Deus diz "Não!". A aliança é com Isaque (cujo nome significa "ele ri"), o filho do milagre, não o filho da carne.
A resposta de fé de Abraão.
- No Mesmo Dia (v. 23): Abraão não hesitou. Ele circuncidou a si mesmo (aos 99 anos), Ismael (aos 13 anos) e todos os homens de sua casa. A obediência tardia é desobediência; Abraão agiu prontamente.
- A Comunidade da Fé: A casa de Abraão tornou-se uma comunidade marcada pela aliança. A dor da circuncisão em massa foi um ato coletivo de consagração e submissão à nova revelação de Deus.
Aprofundamento Teológico
Este nome aparece aqui pela primeira vez (v.1). Enquanto "Elohim" foca no poder criador e "Yahweh" na relação pessoal, "El Shaddai" destaca o poder de Deus para superar as leis da natureza e cumprir promessas impossíveis. É o Deus que faz o estéril dar à luz.
Na teologia reformada (Colossenses 2:11-12), a circuncisão prefigura o batismo. Ambos são sinais de entrada na comunidade da aliança. A circuncisão era sangrenta, apontando para a necessidade de expiação; o batismo é incruento, pois Cristo já derramou o sangue definitivo.
Deus abençoa Ismael (tornando-o uma grande nação, v. 20), mas estabelece Sua aliança exclusivamente com Isaque (v. 21). Isso ensina a doutrina da eleição divina: a graça salvífica e os propósitos redentores seguem a escolha soberana de Deus, não o direito de primogenitura natural.
O comando "anda na minha presença e sê perfeito" (v. 1) resume a ética bíblica. Não se trata de perfeição sem pecado, mas de integridade (fazer o que é certo mesmo quando ninguém vê) e consciência constante de que vivemos sob o olhar de Deus.
Assistente de Estudo IA
Tire dúvidas sobre a Circuncisão, El Shaddai ou a mudança de nomes.
0 comments:
Postar um comentário