O Regresso a Betel
Análise Expositiva de Génesis 35"Entre o carvalho de Siquém e o pilar de Betel, Jacob enterra os seus ídolos e levanta um altar. Génesis 35 é o capítulo da purificação, onde 'Jacob' é finalmente consolidado como 'Israel' antes de enfrentar a morte de Raquel e de Isaque."
A preparação para o culto exige santificação.
- O Mandato (v. 1): Deus ordena: "Levanta-te, sobe a Betel e habita ali". Após a tragédia em Siquém, o lugar seguro é a Casa de Deus.
- A Reforma (v. 2-4): Jacob assume a liderança espiritual. Ele ordena: "Lançai fora os deuses estranhos". Incluía os ídolos de Labão (terafins) e possivelmente espólios de Siquém. Enterraram também as argolas (brincos), que muitas vezes tinham função de amuleto pagão.
- O Terror de Deus (v. 5): A segurança de Jacob não veio da espada de Simeão e Levi, mas do "terror de Deus" que caiu sobre as cidades vizinhas, impedindo a vingança.
- A Morte de Débora (v. 8): A ama de Rebeca morre e é sepultada em Alom-Bacute ("Carvalho do Pranto"), mostrando o respeito de Jacob pelos laços antigos.
Deus confirma a identidade de Israel.
- O Novo Nome (v. 10): Deus reitera: "Não te chamarás mais Jacob, mas Israel". Embora a mudança tenha ocorrido em Peniel (Gn 32), aqui ela é ratificada no contexto de culto público e purificado.
- El-Shaddai (v. 11): Deus se apresenta como "O Deus Todo-Poderoso" (o mesmo título usado com Abraão em Gn 17:1), garantindo a fertilidade e a promessa de que "reis sairão dos teus lombos".
- O Pilar de Pedra (v. 14): Jacob erige uma coluna (matsebah), derrama uma libação (oferta de bebida) e azeite, consagrando novamente o local como "Casa de Deus".
A tragédia no caminho de Efrata (Belém).
- O Parto Difícil (v. 16-17): Raquel, que clamara "Dá-me filhos ou morro" (Gn 30:1), morre ao dar à luz o segundo filho.
- Ben-oni vs. Benjamim (v. 18): Com a alma a sair, Raquel chama o menino de Ben-oni ("Filho da minha dor"). Jacob, profeticamente, muda para Benjamim ("Filho da mão direita"), transformando uma memória de tristeza em uma declaração de força e apoio.
- Sepultamento (v. 19-20): Raquel é a única matriarca não enterrada em Macpela, mas no caminho de Belém, prefigurando profecias messiânicas (Mq 5:2; Jr 31:15).
O fim de uma era e as sementes do futuro.
- O Incesto de Rúben (v. 22): Rúben deita-se com Bila, concubina de seu pai. O texto diz laconicamente: "e Israel soube-o". Este ato custaria a Rúben a primogenitura (1 Cr 5:1), abrindo caminho para Judá (liderança) e José (porção dupla).
- Os Doze Filhos (v. 23-26): A lista completa dos patriarcas é apresentada, encerrando a fase de formação da família.
- Morte de Isaque (v. 27-29): Jacob reencontra o pai em Hebrom. Isaque morre aos 180 anos. Esaú e Jacob o sepultam juntos, demonstrando que a reconciliação do capítulo 33 se manteve.
Aprofundamento Teológico
Betel representa o regresso aos fundamentos da fé. Jacob não poderia adorar plenamente enquanto carregasse os ídolos de Siquém. A ordem de "subir a Betel" é um chamado perpétuo à igreja para abandonar o sincretismo e renovar os votos da aliança num lugar de adoração pura.
A mudança de nome reflete a autoridade do pai e a esperança da fé. Enquanto Raquel olhava para a circunstância imediata (dor e morte), Jacob olhou para o futuro e o propósito (força e posição de honra). Isso ensina que a nossa identidade não é definida pelos nossos traumas, mas pela palavra do Pai.
Quando "Israel soube" do pecado de Rúben, o texto não regista uma ação imediata, mas o silêncio é pesado. Jacob guardou o facto, e as consequências surgiriam no seu leito de morte (Gn 49). Isso mostra que o pecado, mesmo quando "ignorado" no momento, tem repercussões inevitáveis no destino.
A morte de Isaque serve como um marcador literário. A partir de agora, a narrativa de Génesis (as *Toledot*) focar-se-á quase exclusivamente na história de José e na providência de Deus em levar a família para o Egito, preparando o palco para o Êxodo.
Assistente de Estudo Bíblico
Tire dúvidas sobre Betel, Benjamim e a purificação.
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