A Migração para o Egito
Análise Expositiva de Génesis 46"Jacob hesita na fronteira. Deixar a Terra Prometida é um passo arriscado. Mas em Berseba, o Deus de seus pais quebra o silêncio da noite para sancionar a descida ao Egito, não como um desvio, mas como o berço onde a grande nação de Israel será forjada."
A aprovação divina para deixar Canaã.
- O Altar em Berseba (v. 1): Antes de cruzar a fronteira, Jacob para para adorar o "Deus de seu pai Isaque". Ele não se move sem a certeza da presença de Deus.
- "Jacob, Jacob" (v. 2): O chamado duplo pelo nome indica intimidade e urgência (como com Abraão e Moisés).
- A Promessa Quádrupla (v. 3-4):
1. Não temas.
2. Far-te-ei ali uma grande nação.
3. Eu descerei contigo.
4. Eu te farei tornar a subir (profecia do retorno).
O registo oficial da nação nascente.
- O Transporte (v. 5): Os filhos de Israel carregam Jacob, as crianças e as mulheres nos carros de Faraó. A fraqueza física de Jacob é sustentada pela força de seus filhos e pela provisão divina.
- Os 70 Nomes (v. 8-27): A lista é dividida pelas quatro mães (Lia, Zilpa, Raquel, Bila). O número 70 é simbólico na Bíblia (totalidade), representando que a semente completa de Israel entrou no Egito.
- Destaque para Rúben e Judá: A genealogia reafirma as lideranças tribais, mencionando os filhos de Rúben e a tragédia dos filhos de Judá (Er e Onã) que morreram em Canaã.
O abraço que curou décadas de luto.
- Judá como Guia (v. 28): Jacob envia Judá à frente para preparar o caminho em Gósen. Judá assume definitivamente o papel de liderança prática e protetora.
- O Carro de José (v. 29): José não espera sentado no trono; ele "aprelha o seu carro" e vai ao encontro do pai.
- O Choro Prolongado (v. 29): José apresenta-se e chora "longamente" sobre o pescoço de Jacob. O alívio da separação de 22 anos transborda.
- A Satisfação de Jacob (v. 30): "Já posso morrer, pois vi o teu rosto". A vida de Jacob encontra plenitude; o luto foi transformado em alegria.
A sabedoria para preservar a identidade santa.
- Instrução de José (v. 31-33): José instrui a família a ser honesta com Faraó sobre a sua profissão de pastores de gado.
- Abominação Cultural (v. 34): "Todo o pastor de ovelhas é abominação para os egípcios". José usa o preconceito egípcio a favor de Israel. Ao serem detestados, eles seriam isolados em Gósen.
- Preservação da Fé: Se vivessem misturados no Cairo (Mênfis), seriam assimilados. O isolamento em Gósen garantiu que Israel crescesse como um povo separado para Deus.
Aprofundamento Teológico
Berseba era o limite sul de Canaã. Para um patriarca, passar dali significava sair da Terra Prometida. Jacob parou ali para ter certeza de que não estava a cometer um erro ao sair da terra da herança. A confirmação de Deus foi vital para legitimar o exílio voluntário no Egito.
Setenta representa completude e totalidade na Bíblia (7 x 10). Mais tarde, Moisés escolherá 70 anciãos (Nm 11), e Jesus enviará 70 discípulos (Lc 10). Este número conecta a família de Jacob à ideia de que eles são o núcleo da futura nação sacerdotal que abençoará as 70 nações de Génesis 10.
A "abominação" dos egípcios pelos pastores foi um muro de proteção divina. Se os egípcios gostassem deles, teriam casado entre si e a fé monoteísta de Abraão teria desaparecido no politeísmo egípcio. Deus usa o preconceito do mundo para santificar a Sua igreja.
A promessa do v. 4 tem duplo cumprimento. Primeiro, no corpo morto de Jacob que foi sepultado em Canaã (Gn 50). Segundo, no Êxodo da nação 400 anos depois. Deus nunca perde de vista o destino final do Seu povo, mesmo quando a jornada parece ir na direção oposta (descida ao Egito).
Assistente de Estudo Bíblico
Tire dúvidas sobre a genealogia, Gósen e a visão de Berseba.
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