A Bênção e a Administração
Análise Expositiva de Génesis 47"Génesis 47 apresenta um contraste notável: enquanto o mundo egípcio perde tudo para sobreviver à fome, a família de Jacob é instalada na melhor parte da terra. É aqui que vemos a autoridade espiritual de um patriarca moribundo a abençoar o homem mais poderoso do mundo."
A legitimação da estadia em Gósen.
- A Seleção dos Irmãos (v. 2): José escolhe cinco dos seus irmãos, provavelmente os de aparência mais distinta, para causar boa impressão.
- O Pedido Específico (v. 4): Eles não pedem terras para plantar, mas para pastorear, enfatizando a sua transitoriedade ("viemos para peregrinar").
- Jacob Abençoa Faraó (v. 7, 10): Este é o ponto alto. Embora Faraó tenha o poder político e económico, Jacob tem a autoridade espiritual. "E sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior" (Hb 7:7). Jacob não se curva como servo, mas levanta as mãos como profeta.
A consolidação do poder real durante a crise.
- Estágio 1 - Dinheiro (v. 14): Todo o capital líquido do Egito e Canaã flui para o tesouro de Faraó.
- Estágio 2 - Gado (v. 16-17): Quando o dinheiro acaba, a economia regride ao escambo. José troca pão por rebanhos.
- Estágio 3 - Terra e Corpos (v. 18-21): O povo vende-se voluntariamente como servos da coroa. José institui uma taxa de 20% (o quinto) sobre a produção futura, garantindo a sobrevivência do estado e do povo.
O contraste da bênção.
- Crescimento Exponencial: Enquanto os egípcios empobrecem, Israel "adquire propriedades, frutifica e multiplica-se muito".
- Cumprimento da Promessa: Isso ecoa a promessa feita a Abraão e reafirmada a Jacob em Berseba (Gn 46:3) de que ali se tornariam uma grande nação. Gósen serviu como uma incubadora protegida.
A fé que olha para além da morte.
- A Aproximação da Morte (v. 29): Após 17 anos de paz no Egito (o mesmo tempo que viveu com José em Canaã), Jacob sente o fim.
- O Juramento Solene (v. 29): "Põe a tua mão debaixo da minha coxa" - um rito antigo de juramento inquebrável ligado à aliança da circuncisão.
- Não me Sepultes no Egito (v. 30): O pedido não é sentimental, mas teológico. Jacob recusa a "imortalidade" egípcia (pirâmides/mumificação gloriosa) em favor da caverna simples de Macpela, afirmando a sua fé na ressurreição e na herança de Canaã.
Aprofundamento Teológico
A cena de Jacob abençoando Faraó é revolucionária. Politicamente, Jacob era um refugiado faminto dependente da caridade real. Espiritualmente, ele era o portador da Aliança de Deus. Isso ensina que a verdadeira grandeza não se mede pelo poder secular ou riqueza, mas pela posição diante de Deus.
José não explorou o povo; ele salvou-o. Numa época sem bancos ou segurança social, a centralização dos recursos no Faraó permitiu uma distribuição organizada que evitou a morte em massa. O povo agradeceu: "Tu nos salvaste a vida" (v. 25). É um modelo de gestão de crise eficaz.
Insistir em ser enterrado em Canaã foi a forma de Jacob pregar aos seus filhos: "O Egito não é o nosso lar". Foi um ato profético que manteve os olhos da nação voltados para a Terra Prometida durante os 400 anos de escravidão que viriam a seguir.
Jacob descreve a sua vida como "dias dos anos das minhas peregrinações" e admite que foram "poucos e maus" (v. 9). Apesar da abundância final, ele reconhece as lutas passadas, mas termina em adoração, inclinado sobre a cabeceira da cama (v. 31), um homem finalmente em paz com Deus.
Assistente de Estudo Bíblico
Tire dúvidas sobre a fome, Gósen e a bênção de Jacob.
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